A corrida e seus limites
DOI:
https://doi.org/10.33233/rbfe.v14i1.126Resumo
Qual é a limite do treinamento em jogging e corrida? O maratonista vive mais tempo do que o sedentário diabético e hipertenso? Temos que limitar o tempo da corrida diária? A resposta parece óbvia, mas não tanto: na verdade não existem estudos definitivos sobre o assunto e não sabemos ainda se treinar para o Ironman é uma boa ideia no que se refere í longevidade.
Um estudo recente [1], realizado na Dinamarca, acompanhou um grupo de 1098 corredores e 413 pessoas sedentárias, mas saudáveis, participantes de um estudo sobre as doenças cardiovasculares, com ajustes por idade, sexe, educação, diabetes e saúde cardiovascular. Geralmente, os corredores eram mais jovens, menos fumantes e diabéticos, com IMC e pressão arterial mais baixos do que os sedentários. Após 12 anos de acompanhamento, o estudo concluiu que os praticantes mais leves, os que correm entre 1 e 2,4 horas por semana, divididas em 3 sessões, são os que apresentam o menor risco de mortalidade, todas causas confundidas. O risco de mortalidade aumenta com o treino semanal e os praticantes mais assíduos apresentam ao final a mesma taxa de mortalidade do que os sedentários. Os autores concluem que atividade física reduziu o risco de morte de 30% (ou ganho de 5 a 6 anos de vida segundo outro estudo) em relação às pessoas sedentários, e que o maior ganho de longevidade se encontra do lado da atividade leve, tipo jogging. Isso se explicaria pela intensidade do esforço cardíaco na corrida e pelo risco de distúrbios do ritmo cardíaco, principalmente de fibrilação auricular em caso de treinamento intenso.
Referências
Schnohr P, O´Keefe JH, Marott JL, Lange P. Jensen GB. Dose of jogging and long-term mortality The Copenhagen City Heart Study. J Am Coll Cardiol 2015;65(5):411-9.
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